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Arginina: Conheça Seus Benefícios Para O Coração E Desempenho Físico

8 setembro 2021
Arginina: Conheça Seus Benefícios Para O Coração E Desempenho Físico
Postado por Mateus Kurek Pagliosa
Mulher malhando na academia contando com benefícios fornecidos pela arginina

A arginina é um aminoácido não essencial que favorece o fluxo sanguíneo e está ligado ao bom desempenho físico, à saúde do coração, função cerebral, prevenção do envelhecimento precoce, eliminação de toxinas, combate de inflamações e infecções, entre outras funções.

Vem com a gente entender os principais seus benefícios!

O Que É A Arginina?

Mulher praticando exercícios com halteres contando com benefícios da suplementação de arginina

A arginina é um aminoácido produzido de maneira endógena – ou seja, pelo próprio corpo – principalmente nos rins. Todas as pessoas a produzem, mas em quantidades variadas, já que trata-se de um processo influenciado pela idade, sexo, saúde cardíaca, tipo de dieta praticada e outros fatores que determinam o bom funcionamento do organismo.

Uma dieta com teor reduzido de proteínas, assim como problemas digestivos, estresse constante, tabagismo e características genéticas podem ser fatores que atrapalham a produção natural deste aminoácido.

Em todo caso, a arginina pode ser obtida através de alimentos proteicos, como carnes, ovos, sementes de abóbora e de girassol, spirulina, algas e nozes. Suplementos naturais também são boas opções.

No corpo, a arginina é convertida em óxido nítrico, composto que auxilia a circulação sanguínea e, desta forma, beneficia a saúde do coração, do cérebro e mais. Ela também beneficia a produção hormonal, especialmente o hormônio do crescimento (GH) e a insulina, o que ajuda as células a aproveitarem mais glicose para o crescimento e produção de energia. Eis uma das razões da arginina ser mencionada como apoiadora do desempenho físico, resistência e força.

Além do óxido nítrico, GH e insulina, seu metabolismo resulta na produção de uma gama de produtos bioquimicamente diversa, incluindo ureia, creatina, prolactina, poliaminas, prolina, glutamato, agmatina e homoarginina.

No entanto, existe um ponto estratégico para que ela seja melhor aproveitada pelo corpo. Para ajudar naturalmente seu corpo a fazer e usar mais arginina, é importante ter uma dieta baseada em alimentos integrais, especialmente fontes limpas de proteína, que fornecem uma gama completa de aminoácidos.

Um ponto importante a ser considerado é que à medida que o corpo envelhece, sua capacidade de produzir óxido nítrico diminui. Portanto, este pode ser um bom motivo para realizar esta suplementação.

Vale destacar que a l-arginina é diferente da arginina vasopressina. A segunda é um hormônio antidiurético que contribui com a pressão arterial e com o controle de líquidos corporais.

Os Benefícios Da Arginina Para A Saúde

Homem realizando rosca direta com halteres e contando com os benefícios da suplementação de arginina

A arginina desempenha uma série de papéis importantes no organismo, os quais envolvem a regulação de funções imunológicas, combate de inflamações e estresse oxidativo, desempenho físico, melhora da fertilidade e da função sexual masculina e saúde cardíaca. Também atua como um importante intermediário no ciclo da ureia e na desintoxicação de resíduos nitrogenados.

Como mencionamos, a arginina está envolvida com a produção de óxido nítrico (NO), o qual tem relação direta com o fluxo sanguíneo. O óxido nítrico é um gás natural e reativo, sintetizado através da interação de l-arginina com enzimas óxido nítrico sintase.

O óxido nítrico promove a dilatação dos vasos sanguíneos e a manutenção da pressão arterial, que acaba por diminuir o risco de formação de coágulos e placas e doenças do coração. Além disso, o NO atua no cérebro como um neurotransmissor e agente protetor contra ameaças externas.

Confira a seguir suas principais formas de auxílio para o corpo.

Arginina e saúde do coração

Devido ao apoio que dá ao sistema circulatório, a arginina pode beneficiar a saúde do coração, sendo considerada por alguns especialistas um composto que favorece a prevenção de ataque cardíaco e derrame.

A revisão da literatura demonstra que a L-arginina, único substrato da produção de óxido nítrico, afeta o sistema cardiovascular em termos de vasos sanguíneos e coração. Muitos estudos experimentais e clínicos mostram seus efeitos benéficos no endotélio – a monocamada celular que reveste o interior dos vasos sanguíneos – em condições associadas à redução de sua hipofunção (redução da síntese de óxido nítrico).

Ela também pode ser especial para pessoas que sofrem de complicações arteriais, como obstruções relacionadas à doença arterial coronariana, ou que tendem a formar coágulos sanguíneos, que podem interromper o suprimento de sangue em problemas como a trombose.

A arginina também pode ser útil em casos de angina, complicação que leva a dores e desconfortos no peito, que ocorre quando o miocárdio não recebe oxigênio suficiente para funcionar corretamente.

Em vários ensaios clínicos controlados, a administração a longo prazo de L-arginina demonstrou melhorar os sintomas de doenças cardiovasculares. No entanto, vale mencionar que em outros estudos, seu uso não foi benéfico, levando alguns pesquisadores a concluir que os efeitos de sua suplementação na fisiologia humana podem ser multicausais e relacionados à dose.

Arginina e controle da inflamação e estresse oxidativo

A arginina também pode favorecer a imunidade através de seu apoio ao combate de inflamações e radicais livres.

Seu auxílio às defesas do corpo acontece em diversos mecanismos, desde a combinação de suas propriedades com outros compostos como vitamina C, ômega 3, que ajudam a prevenir o envelhecimento precoce e a inflamação crônica, até seus efeitos positivos sobre uma enzima chamada superóxido dismutase (SOD), que cumpre papel importante na defesa antioxidante.

A arginina também favorece a desintoxicação, visto que pode reduzir a quantidade de amônia no sangue, que surge a partir da quebra de proteínas do corpo e pode causar necrose em tecidos e inflamação.

Vale mencionar novamente que sua proteção também abrange o sistema nervoso central devido à ação do óxido nítrico, que age como neurotransmissor e realiza a proteção contra ameaças externas.

Arginina e o desempenho físico

A arginina é conhecida por melhorar o desempenho físico. Como vimos, isso se deve ao fato de que ela melhora as condições para que o fluxo sanguíneo ocorra de maneira adequada e, consequentemente, mais nutrientes e oxigênio estejam disponíveis para os tecidos, sejam de músculos ou articulações.

Além disso, este aminoácido também colabora com a saúde metabólica de maneira a propiciar a construção e manutenção de um tecido muscular mais forte, ao passo que combate inflamações que causam dores ósseas e articulares.

Estudos sugerem que a arginina pode melhorar a tolerância à glicose e a sensibilidade à insulina, permitindo que mais glicose entre nas células para favorecer a energia. Alguns estudos mostram que ela pode ser útil para aumentar a insulina plasmática e o hormônio do crescimento, além de ajudar na construção muscular mesmo em períodos de repouso. Isso reforça a importância de pesquisas sobre os potenciais benefícios da arginina e do óxido nítrico para o músculo esquelético durante o exercício.

Desta forma, a arginina pode proporcionar menos dores e mais força e capacidade de recuperação para o corpo referente à exercícios físicos, inclusive os de alta intensidade.

Arginina e imunidade

A arginina é combinada com ômega 3 e outros suplementos para fortalecer a defesa do corpo contra infecções, principalmente respiratórias e pulmonares.

Vale destacar que baixos níveis de arginina foram constatados em pacientes que sofrem de traumas, câncer e outras doenças, e que ela é um aminoácido crucial para que linfócitos e células T atuem para defender o organismo. Uma das principais suspeitas é de que células supressoras do sistema imunológico causem a deficiência de arginina, e nestas circunstâncias, ela se torna um aminoácido condicionalmente essencial – a ser obtido de fontes externas.

A arginina também é adicionada em formulações que ajudam a tratar feridas, queimaduras e cicatrizes, pois ajuda a manter o fluxo sanguíneo mais livre, além de participar da formação da prolina, um aminoácido importante para formar o colágeno presente na pele.

Arginina e função sexual

Estudos mostram que a arginina pode ajudar a saúde masculina através da melhora da produção e motilidade do esperma.

Vale destacar que homens que sofrem de complicações cardiovasculares causadas por níveis reduzidos de óxido nítrico no sangue, têm mais chances de serem acometidos com disfunção erétil e infertilidade. Isso porque a ereção depende do relaxamento dos músculos lisos promovido pelo óxido nítrico. Daí a influência positiva da arginina nestes casos.

Alguns estudos mostram que a suplementação de arginina junto de outros dilatadores, antioxidantes e anti-inflamatórios pode beneficiar a saúde masculina significativamente neste sentido.

Para a saúde sexual feminina, a arginina também parece ser benéfica. Alguns estudos sugerem que sua combinação com extrato de chá verde, ervas e suplementos antioxidantes pode melhorar a chance de gravidez. Algumas pesquisas também sugerem a combinação de arginina com N-acetil-cisteína (NAC) para o equilíbrio hormonal e restauração da função sexual normal em mulheres com desequilíbrios de estrogênio e síndrome dos ovários policísticos. Falamos um pouco mais sobre a NAC neste artigo.

Fontes De Arginina

Amêndoas e nozes, que são fonte de arginina, dispostas em bowls de madeira

Todos os alimentos que possuem boas quantidades de proteínas têm um pouco de arginina para oferecer, mas fontes de proteína mais densas são mais ricas neste aminoácido.

Confira alguns dos alimentos que a oferecem em boas quantidades:

  • Ovos caipiras
  • Iogurte
  • Kefir
  • Queijos crus
  • Carne de gado Grass Fed
  • Peixes selvagens
  • Sementes de abóbora
  • Sementes de girassol
  • Algas
  • Spirulina
  • Castanha-do-Pará
  • Amêndoas
  • Nozes

Riscos Relacionados Ao Consumo De Arginina

Mulher tocando o próprio pescoço com as mãos, sinalizando risco de inchaço em vias respiratórias que pode ocorrer pelo consumo excessivo de arginina

Como é um aminoácido produzido naturalmente pelo corpo, em geral a arginina não apresenta riscos à saúde quando obtida de fontes externas.

No entanto, pode oferecer riscos quando suplementada junto de medicamentos ou quando consumida por pessoas com histórico de doenças cardíacas, problemas de pressão, diabetes, problemas renais ou que apresentam algum tipo de vírus ativo (como a herpes). Também se recomenda cautela no uso deste aminoácido por meio de suplementos para pessoas que sofrem com asma ou alergias respiratórias. Portanto, seu consumo e dosagem devem ser instruídos por médico ou profissional capacitado.

Os possíveis efeitos colaterais causados por seu consumo feito fora da indicação adequada envolvem dor abdominal, inchaço em vias respiratórias e pulmões, diarreia, gota, asma, alergias e pressão baixa.

Considerações Finais

A arginina auxilia a saúde cardíaca, a imunidade, o desempenho físico, a inibição de radicais livres, e oferece ainda mais benefícios. Este aminoácido, que pode passar à condição de aminoácido condicionalmente essencial, pode ter sua produção natural aumentada através de alimentos integrais e ricos em proteínas. Também existem suplementos especiais para que seus níveis sejam mantidos, mas é sempre recomendado o acompanhamento médico.

Confira mais informações sobre aminoácidos!

Até a próxima!

Referências:

https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/6322

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27934648/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24755570/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15849373/

https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/urea#section=Biochemical-Reactions

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