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Cisteína: Um Aminoácido Indispensável Para A Função Antioxidante

26 agosto 2021
Cisteína: Um Aminoácido Indispensável Para A Função Antioxidante
Postado por Mateus Kurek Pagliosa
Mulher correndo: cisteína combate estresse físico e radicais livres

A cisteína é um aminoácido não essencial importante para a formação de proteínas e outros compostos, como a glutationa, e é um dos principais componentes da beta-queratina. Assim, cumpre papel importante na saúde de músculos, pele, cabelo e unhas, além de combater radicais livres, promover a desintoxicação do organismo e outras funções metabólicas.

Encontrada em suplementos na forma de N-acetil-L-cisteína (NAC), tem seu potencial de combate a doenças avaliado por diversos pesquisadores.

Vem com a gente entender um pouco mais sobre como a cisteína cumpre seu papel na saúde e qualidade de vida!

O Que É A Cisteína?

Mulher na academia: cisteína ajuda síntese de proteínas e construção de tecidos, músculos, hormônios e enzimas

A cisteína é um aminoácido não essencial produzido pelo corpo em pequenas quantidades a partir dos aminoácidos serina e metionina, e que também necessita de vitaminas do complexo B, como ácido fólico, vitamina B6 e vitamina B12, para ser produzida.

Em práticas de exercícios intensos e constantes ou desequilíbrios causados por doenças, o organismo pode demandá-la em níveis elevados. Assim, a cisteína pode passar a ser um aminoácido condicionalmente essencial, e obtê-la através de alimentos e suplementos pode se tornar uma necessidade.

Como é um aminoácido, a cisteína é importante para a síntese de proteínas e construção de tecidos, músculos, hormônios e enzimas. Mas também cumpre funções que envolvem o metabolismo, a desintoxicação e a produção de outros compostos.

A cisteína também promove benefícios estéticos, já que influencia a produção de colágeno e também é encontrada na beta-queratina, a principal proteína das unhas, pele e cabelo. Além disso, também participa da formação de taurina, heparina, biotina e de um dos principais compostos antioxidantes para a saúde do organismo: a glutationa.

A glutationa é o antioxidante mais abundante do sistema de combate aos radicais livres e envelhecimento precoce. Tem papel ativo na recuperação celular, eliminação de toxinas, transporte de aminoácidos, síntese de proteínas e proteção do organismo contra radiações solares. Ela também tem a capacidade de reciclar antioxidantes, como a vitamina C e flavonoides, e direcionar seus potenciais para a eliminação de toxinas do corpo. Quando a glutationa exerce seu papel desta forma, também contribui para a prevenção de doenças crônicas, como Alzheimer e Parkinson.

Vale destacar que em sua forma N-acetil-L-cisteína (NAC), presente em suplementos, tem suas funções objetivos, como:

  • Aumento dos níveis de glutationa
  • Prevenção de danos oxidativos
  • Inibição de citocinas inflamatórias
  • Prevenção de infecções
  • Melhora da saúde respiratória
  • Desintoxicação do fígado
  • Beneficiamento da função cerebral e sistema nervoso

Porém, doses muito elevadas de NAC podem ser tóxicas. Portanto, é sempre importante realizar esta suplementação mediante indicação de profissional da saúde capacitado.

Benefícios Promovidos Pela Cisteína

Cápsulas de cisteína nas mãos

Cisteína e ação antioxidante

Como visto, a cisteína é fundamental para o combate de radicais livres, os quais causam estresse oxidativo. Esta função colabora para a prevenção do envelhecimento precoce e aumento de condições para uma longevidade saudável. Vale destacar que a glutationa é um importante biomarcador e pode auxiliar no tratamento de várias doenças crônicas relacionadas à idade.

O estresse oxidativo causa morte celular codificada ou apoptose em vários processos patológicos, como envelhecimento, inflamação, carcinogênese e neurodegeneração. Portanto, a inibição de radicais livres está associada à prevenção de doenças crônicas, incluindo Alzheimer, Parkinson, acidente vascular cerebral, degeneração macular e mais. Este benefício também fortalece as defesas naturais do organismo, já que maneira que o sistema imunológico funciona melhor se as células linfóides tiverem um nível intermediário de glutationa equilibrado.

Um estudo mostrou que a suplementação com l-cisteína durante um curto período – de dois a quatro meses – foi capaz de melhorar a função imunológica de mulheres pós-menopausa, reduzindo chances de infecções e elevando fatores relacionados ao bem-estar e qualidade de vida.

Muitos estudos estão avaliando se os benefícios à saúde imunológica promovidos pela cisteína podem beneficiar até mesmo pacientes com HIV, diante de seu potencial de prevenção ou redução do declínio de células imunológicas causado pela doença.

Cisteína e saúde estrutural

Assim como outros aminoácidos, a cisteína também participa da manutenção e crescimento da massa muscular e outros tecidos estruturais, e sua carência pode comprometer esta função.

Vale lembrar que a queratina, uma proteína estrutural também produzida naturalmente pelo corpo, precisa de cisteína para ser sintetizada. Por isso, os níveis de cisteína podem influenciar diretamente a saúde da pele, cabelos e unhas, visto que a queratina é essencial para a vitalidade, proteção e resistência dos mesmos.

Cisteína e desintoxicação

A presença de glutationa no organismo é um fator significativo na proteção contra toxicidade e doenças relacionadas. Portanto, como está envolvida no processo de formação da glutationa, a cisteína influencia diretamente a eficiência dos processos de desintoxicação do corpo.

Baixos níveis de cisteína podem resultar em problemas sérios relacionados ao uso constante de determinados medicamentos, como insuficiência hepática e problemas nos rins, bem como teor elevado de metais pesados no organismo. Além disso, metais pesados podem fazer com que os níveis de glutationa se esgotem, tornando necessária a suplementação de cisteína.

A cisteína também demonstra potencial de eliminação de substâncias tóxicas derivadas do álcool, como o acetaldeído, que pode se acumular no fígado e causar prejuízos severos. No entanto, em casos de ingestão demasiada de álcool, esta função essencial é comprometida.

Cisteína e níveis de açúcar no sangue

A cisteína também pode colaborar com a regulação dos níveis de açúcar no sangue, influenciando o controle da glicemia e fatores ligados à resistência à insulina. Este benefício vem sendo avaliado em estudos feitos em pacientes com diabetes, mostrando resultados positivos relacionados a marcadores de inflamação vascular e potencial de redução da glicemia.

Cisteína e saúde digestiva

Algumas dificuldades digestivas estão relacionadas com baixos níveis de ácido estomacal e gastroenterite, problemas que podem ser gerados pela presença excessiva de radicais livres no organismo. Como vimos, a cisteína é fundamental para a ação antioxidante, responsável pela inibição destes elementos prejudiciais.

Portanto, aponta-se que este aminoácido não essencial tem relação direta com a saúde digestiva. Inclusive, estudos sugerem que a suplementação com cisteína na forma N-acetil-L-cisteína (NAC) é capaz de diminuir sintomas de inflamações intestinais, como as causadas pela colite ulcerosa.

Cisteína e saúde respiratória

A cisteína também é importante para a saúde respiratória. Ela atua na eliminação do muco presente em excesso em vias respiratórias, o que pode ser ainda mais útil para quem sofre com alergias ou problemas como bronquite ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a qual degrada a função pulmonar através de uma inflamação elevada nos pulmões e compromete o fluxo de ar.

Uma pesquisa publicada no International Journal of Chronic Obstructive Pulmonary Disease sugere que os suplementos de L-cisteína podem ser usados ​​para diminuir a carga oxidante e a inflamação encontrada em pacientes com esta complicação.

Cisteína e tratamentos de distúrbios psiquiátricos

O uso de NAC também parece promissor para tratamentos de problemas psiquiátricos, como esquizofrenia, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e vícios.

Muitos problemas psiquiátricos têm relação com a desregulação dos níveis de glutamato, um neurotransmissor importante para a saúde do cérebro. O ponto aqui é que a cisteína cumpre um papel importante no equilíbrio do glutamato, influenciando neurônios presentes no sistema nervoso central. Isso a torna potencialmente benéfica para auxiliar tratamentos de distúrbios cerebrais como os mencionados.

Fontes De Cisteína

Castanhas, fontes de cisteína, dispostas em um prato

A L-cisteína é produzida naturalmente em pequenas quantidades. Mas, como vimos, pode se tornar um aminoácido condicionalmente essencial, o que torna necessária sua ingestão por meio de fontes externas.

Alimentos ricos em proteínas, sejam vegetais ou animais, são boas fontes de cisteína. Confira alguns dos principais:

  • Carnes orgânicas de animais criados soltos
  • Ovos caipiras
  • Laticínios
  • Brócolis
  • Castanhas
  • Leguminosas
  • Semente de girassol
  • Cereais integrais

Quando necessária em doses maiores, a cisteína é normalmente encontrada na forma de NAC no formato de cápsulas, líquida, spray ou em pó. Sua suplementação é indicada para manter níveis ideais de glutationa intracelular e aumento das defesas contra danos oxidativos, inflamações e infecções respiratórias. No entanto, é preciso estar atento às quantidades ingeridas, visto que sua alta dosagem causa toxicidade. Portanto, é importante que sua ingestão via suplementação respeite questões de individualidade e seja orientada por profissional da área da saúde capacitado.

Vale a pena relembrar que sua assimilação adequada ocorre na presença de vitaminas do complexo B. Portanto, uma carência nutricional destes nutrientes pode comprometer os benefícios proporcionados pela cisteína.

Considerações Finais

Neste artigo, apresentamos as principais funções desempenhadas pela cisteína no organismo, incluindo a formação de compostos imprescindíveis para o equilíbrio da saúde, como colágeno e glutationa.

Clique aqui para ler mais artigos sobre os aminoácidos que o corpo precisa para manter seu funcionamento adequado!

Até a próxima!

Referências:

https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/5862

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3967529/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31484368/

https://bdigital.ufp.pt/handle/10284/2505

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3257666/

https://draxe.com/nutrition/l-cysteine/

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