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Colágeno e MCT: Conheça Seus Benefícios à Saúde, e Como Estes Poderosos Alimentos Podem Potencializar a Prática de Exercícios Físicos

27 dezembro 2019
Colágeno e MCT: Conheça Seus Benefícios à Saúde, e Como Estes Poderosos Alimentos Podem Potencializar a Prática de Exercícios Físicos
Postado por Everton Souza

Alimentos Poderosos Que Ajudam a Desenvolver Ainda Mais a Performance Física no Esporte

Nunca se viu antes uma preocupação tão grande em relação ao “corpo” quanto o visto nas últimas décadas. Hoje, com o maior fluxo de informações e estudos disponíveis sobre os impactos de nossos hábitos e alimentação à saúde, cresce cada vez mais a procura, por parte dos indivíduos, de maneiras eficazes e capazes de promover bem-estar tanto para o corpo quanto para a mente. 

Uma das soluções encontradas por grande parte das pessoas é a prática de atividades físicas, que, aliadas a uma alimentação balanceada, nutritiva e rica pode ser a diferença na busca pelo equilíbrio de corpo e mente.  “Atividade física” pode ser descrita como a prática vinculada à promoção da saúde e à elevação da qualidade de vida, enquanto o “esporte” é definido como uma atividade corporal que tem como objetivo principal, melhorar a condição física e o bem-estar mental, criar relações sociais ou ainda, obter resultados em competições.

Muito se fala em maneiras de potencializar estas atividades, e cada vez mais surgem alternativas saudáveis e naturais que podem ajudar no ganho de força, aumento da capacidade aeróbica, redução de gordura corporal, da fadigaaumento e recuperação muscular e outros fatores que melhorem o desempenho físico e mental. Neste artigo, apresentaremos duas substâncias que vêm chamando a atenção de especialistas e profissionais da saúde por seus benefícios surpreendentes à saúde:

  1. Colágeno (Tipo I)
  2. Colágeno (Tipo II)
  3. TCM ou MCT (Triglicerídeos de Cadeia Média)

Colágeno: Entenda A Importância Desta Proteína Para Nosso Organismo

Foto: Processo de Envelhecimento

Com o passar dos anos, nossa pele vai sofrendo inúmeras mudanças e alterações em sua fisiologia, que se manifestam como sinais clínicos do envelhecimento. Tanto através do envelhecimento cronológico quanto do fotoenvelhecimento, nossa pele vai aos poucos mudando sua estrutura e sofrendo com a degradação dos componentes da matriz extracelular dérmica.

Um dos principais fatores do envelhecimento, é a perda do colágeno pelo organismo. “Os músculos ficam flácidos, a densidade dos ossos diminui, as articulações e os ligamentos perdem elasticidade e força motora. A perda de colágeno ocorre a partir dos 30 anos, quando o corpo passa a perder 1% da proteína ao ano.” (OLIVEIRA, et al., 2010; RODRIGUES, 2009).

Como o colágeno representa de 25% a 30% do nosso conteúdo proteico corporal total não é de se espantar que a falta e/ou deficiência desta proteína possam causar danos à saúde do nosso organismo. Ele é responsável por desempenhar funções importantíssimas dentro de nosso organismo, como por exemplo: manter as células dos tecidos unidas e fortes, ajudar no processo de regeneração e/ou cicatrização e promover a homeostase do organismo. (GONÇALVES et al,. 2015)

Com base na importância e relevância que o colágeno possui, cada vez mais cresce o interesse, tanto da indústria, quanto dos próprios indivíduos, em como utilizar e entender os melhores tipos, para cada propósito e objetivo a serem alcançados.

Em geral o colágeno contém cerca de 30% de glicina, 12% de prolina, 11% de alanina, 10% de hidroxiprolina, 1% de hidroxilisina e pequenas quantidades de aminoácidos polares e carregados. A glicina, prolina e a alanina são aminoácidos alifáticos e a lisina é um aminoácido com características básicas.

(PRESTES, 2013)

O colágeno se divide em mais de vinte tipos, porém nosso foco de estudo será nos tipos (I e II) mais comuns e utilizados como suplementos nutricionais alimentares. O colágeno tipo I é o tipo mais comum, e pode ser encontrado em locais que precisam resistir a grandes tensões, como por exemplo, nos ossos, na derme da pele, nos tendões e até mesmo na córnea. O colágeno do tipo II pode ser encontrado em locais que possuem incidência e precisam resistir a grandes pressões, como a cartilagem elástica e hialina, os discos intervertebrais e inclusive nos olhos. (GONÇALVES et al,. 2015)

Colágeno Hidrolisado Tipo I: É Possível Retardar O Envelhecimento Da Pele?

Foto: Envelhecimento da Pele do Rosto

Com o passar dos anos, o desenvolvimento de terapias antienvelhecimento têm se intensificado e hoje é cada vez maior o interesse no uso de suplementos alimentares à base de colágeno, devido seus efeitos positivos e benéficos para a saúde da pele e do organismo. Um destes, é o colágeno hidrolisado tipo I. “Estudos têm reportado a bioatividade do CH e de seus peptídeos derivados, incluindo atividade antioxidante, anti-hipertensiva e potencial de estimular o metabolismo de diferentes tecidos conjuntivos como cartilagem, ossos e conjuntivo da pele.” (SANTELLI, ZAGUE, 2016).

O processo industrial para obter o Colágeno Hidrolisado Tipo I é complexo e possui diversas etapas, transformando o colágeno nativo, insolúvel e não digerível em um produto solúvel e digerível.

Figura 1. Representação do processo de degradação enzimática da molécula do colágeno nativo para obtenção do colágeno hidrolisado. (SANTELLI, ZAGUE, 2016)

Após a ingestão oral do colágeno hidrolisado tipo I, “além de aminoácidos livres, também é absorvido na forma de peptídeos. […] os peptídeos de CH, após serem absorvidos, são distribuídos e acumulados em diferentes tecidos, como pele e cartilagem.” (SANTELLI, ZAGUE, 2016). Estudos também vêm mostrando a importância do colágeno hidrolisado tipo I na redução dos danos causados pela radiação UV na pele.

Além disso, outra análise feita pelo tempo de 8 semanas, com mulheres, que ingeriam diariamente 2,5 g de colágeno hidrolisado, comprovou melhora significativa na elasticidade da pele. Estes resultados ainda persistiram, mesmo após 4 semanas da interrupção do estudo.

Colágeno Não Hidrolisado Tipo II E Seu Poder Benéfico Às Articulações Do Corpo Humano

Foto: Garage AG 

O colágeno não hidrolisado tipo II é a principal proteína que estrutura a cartilagem. Derivado de cartilagem de frango, este importante componente tem como função proteger as junções (chamadas articulações), dos impactos e atritos decorrentes dos movimentos. Ele é considerado nativo, pois não sofre alterações na sua estrutura.

Com o passar dos anos, as articulações podem sofrer alterações na estrutura de suas cartilagens, causando irritação ou inflamação, gerando sensação de desconforto ou incômodo, rigidez e até causar limitações nas atividades diárias. Estudos comprovam que o colágeno tipo II tem ação direta e em parceria com o sistema imunológico, atuando na desaceleração da destruição articular.

A osteoartrose é a doença articular mais frequente, sendo uma das principais causas de dores musculoesqueléticas. Esta patologia ocorre em função da interação entre diversos fatores como predisposição genética e a idade, concomitantemente a fatores biomecânicos que gerem lesões, sobrecarga (exercícios e obesidade) e instabilidade. Esta doença é caracterizada pelo desequilíbrio entre síntese e degradação do colágeno que leva ao desgaste da cartilagem articular e como consequência perda de massa óssea devido ao atrito, que por sua vez dá início a um processo inflamatório promovendo edema, dor e rigidez.

(BIOIBÉRICA, 2016)

O colágeno tipo II mostra-se essencial no tratamento de doenças nas articulações. Tão importante quanto adotar a suplementação de colágeno à dieta, também é o consumo de antioxidantes para otimizar seu desempenho, evitar o desgaste de células e das articulações.

Algo importante a ser mencionado é que o ácido ascórbico exerce papel fundamental no crescimento e reparação do tecido conjuntivo. A vitamina C está diretamente ligada na síntese de colágeno e glicosaminoglicanas, fundamentais para manter o tônus e a firmeza da derme. Portanto, para que haja uma síntese adequada de colágeno, é necessário o sinergismo entre a vitamina C e a ingestão adequada de proteínas que fornecerão os aminoácidos que constituem o colágeno.

(MACIEL e OLIVEIRA, 2011)

Triglicerídeos De Cadeia Média: Entenda Como Este Poderoso Óleo Ajuda O Corpo A Obter Energia E Potencializa A Performance Cerebral

Foto: Kate Trysh

O chamado “TCM”, como é comumente conhecido os Triglicerídeos de Cadeia Média, é um suplemento energético utilizado para obtenção do efeito energético no organismo, em substituição aos carboidratos.

Os TCM são moléculas apolares formadas por três ácidos graxos saturados contendo seis a 12 átomos de carbono que estão esterificados ao glicerol. Os ácidos graxos (AG) que compõem os TCM são: ácidos caprílico (C8:0; 50-80%), cáprico (C10:0; 20-50%) e com uma proporção menor dos ácidos capróico (C6:0; 1-2%) e láurico (C12:0; 1-2%).

(BARBOSA, CEDDIA E FERREIRA, 2003)

Devido à sua menor cadeia, o TCM pode ser quebrado mais facilmente e rapidamente e sua absorção pelo corpo se dá de forma mais eficaz. Assim. ele é uma fonte energética de gordura que está menos propensa a ser estocada no corpo, e pode beneficiar nossa saúde de diversas maneiras. A suplementação de TCM é utilizada para otimizar a utilização dos ácidos graxos livres como fonte de energia, e poupar as reservas endógenas de glicogênio para os estágios finais da atividade física.

Os TCMs, também são fonte energética para o cérebro, pois são ricos em corpos cetônicos de rápida metabolização que ajudam a fornecer matéria prima para formação celular e das reações químicas vitais para o cérebro funcionar com clareza e rapidez. A alimentação rica em gordura saturada de boa qualidade, como no caso dos TCMs exerce efeito protetor cardíaco, bem como pode ajudar diretamente no estímulo do sistema imunológico.

Uma das propriedades mais importantes dos TCM é seu caráter cetogênico, uma vez que uma parte significativa do acetil-coa produzido abundantemente durante a oxidação dos AGCM é direcionada para a produção de corpos cetônicos. Uma única dose oral de 45 a 100g de TCM, fornecida a indivíduos saudáveis, eleva as concentrações plasmáticas de corpos cetônicos a 7.000umol/L no intervalo de uma a duas horas. Esses valores são de duas a quatro vezes mais elevados do que os observados em indivíduos alimentados com dietas ricas em TCL. Assim, as concentrações plasmáticas de corpos cetônicos em indivíduos saudáveis são de 150umol/L, após 48h de jejum são de 25.500 e, em indivíduos diabéticos descompensados, ficam acima de 10.000.

(BARBOSA, CEDDIA E FERREIRA, 2003)

Diversos estudos envolvendo os TCMs ainda são muito limitados, pois a grande parte dos indivíduos não os toleram em grandes quantidades. Muitas vezes, reações como desconfortos gastrintestinais foram relatadas por pacientes que estavam fazendo utilização desta substância. Uma ingestão de 30 gramas parece ser o limite de ingestão tolerável sem desconforto gastrointestinal, sendo assim, sua aplicação limitada à prática de exercícios físicos e melhora das funções cognitivas e cerebrais. (BRASIL, 2014).

Referências Bibliográficas

  • BARBOSA, Paula Edila Botelho. CEDDIA, Rolando Bacis. FERREIRA, Antonio Marcio Domingues. A influência da suplementação de triglicerídeos de cadeia média no desempenho em exercícios de ultra-resistência. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 9, Nº 6 – Nov/Dez, 2003.
  • BIOIBÉRICA (Espanha). Di Cesare Manelli et al. BMC Muscoskeletal Disorders v. 14, p. 228, 2013. Mannelli et al. Osteoporosis International v. 26, p. 184, 2015. Bakilan et al. Eurasian J. Med. v. 48 (2), p. 95-101, 2016.
  • BRITO, Daniel de. GONÇALVES, Gleidiana Rodrigues. MOREIRA, Raulzito Fernandes. OLIVEIRA, Maria Auxiliadora Silva. Benefícios da Ingestão de Colágeno para o Organismo Humano. REB Volume 8 (2): 190-207,2015. ISSN 1983-7682.
  • OLIVEIRA et al. Uso de cobertura com colágeno e aloe vera no tratamento de feridas isquêmica: estudo de caso. Rev Esc Enferm USP. Vol. 44, no. 2, 2010.
  • PRESTES, R. C. Colágeno e seus derivados: características e aplicações em produtos cárneos. Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos, RS. UNOPAR. Cient Ciênc Biol Saúde; vol. 15, no. 1, 2013.
  • RODRIGUES, V. Análise dos efeitos do colágeno bovino e derivados na proliferação celular e biossíntese de colágeno em fibroblastos humanos. São Paulo, 2009. Disponível em: <http://www.ksodesign.net/sundown/wp-content/uploads/2012/07/estudo15.pdf.> Acessado em: 14 de novembro de 2019.
  • SANTELLI, Glaucia Maria Machado. ZAGUE, Vivian. Bases científicas dos Efeitos da Suplementação Oral com Colágeno Hidrolisado na Pele. Revista Brasileira de Nutrição Funcional. Ano 15, nº 65, 2016. 
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