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Saudabilidade e Importância Dos Alimentos Orgânicos Para Crianças.

19 dezembro 2019
Saudabilidade e Importância Dos Alimentos Orgânicos Para Crianças.
Postado por Everton Souza

A Importância Da Alimentação Saudável e Complementar No Desenvolvimento Infantil

A alimentação tem um papel muito importante e grande repercussão ao longo de toda a vida do indivíduo. Uma alimentação rica, balanceada e saudável garante que a criança possa se desenvolver plenamente, desde seu nascimento e nos primeiros anos de vida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a alimentação de bebês seja feita exclusivamente com o leite materno, uma vez que ele isoladamente, é capaz de nutrir  e suprir adequadamente bebês de até 6 meses de idade. Porém, após esse período, a complementação alimentar deve ser introduzida, pois “a adequação nutricional dos alimentos complementares é fundamental na prevenção de morbimortalidade na infância, incluindo desnutrição e sobrepeso” (MONTE, GIUGLIANI, 2004)

  1. Alimentação Complementar para todas as fases no desenvolvimento infantil

Alimentação Complementar Para Bebês

Esta fase alimentar, chamada de “complementar”, é definida como a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, em adição ao leite materno. O alimento complementar pode ser definido como:

[…] qualquer alimento dado durante o período de alimentação complementar e que não seja leite materno. Os alimentos complementares podem ser preparados especialmente para a criança ou podem ser os alimentos consumidos pelos demais membros da família, modificados para atender às habilidades e necessidades da criança.

(WHO, 1998)

A partir dos 6 meses de idade, as necessidades nutricionais do bebê não podem ser supridas apenas pelo leite materno, sendo necessária a adição de alguns alimentos que possam ajudar as crianças a desenvolver também algumas habilidades que normalmente começam a aflorar nesse período (mastigação, deglutição, digestão e excreção), que as habilitam a receber outros alimentos. E dentro deste desenvolvimento alimentar do bebê, as papinhas podem ser divididas em determinadas fases:

Além da quantidade das proteínas da dieta, são importantes a sua qualidade e digestibilidade. As proteínas de alto valor biológico e de melhor digestibilidade são encontradas em primeiro lugar no leite humano e depois nos produtos de origem animal (carne, leites, ovos). A dieta à base de vegetais também pode fornecer proteínas de alta qualidade, desde que contenha quantidade suficiente e combinação apropriada de vegetais. A mistura de arroz com feijão, por exemplo, fornece proteínas de excelente qualidade, comparável com as da carne.

(CAMERON, HOFVANDER, 1983)

Características Da Alimentação Complementar Ideal

Conforme recomendação da OMS, a complementação alimentar em crianças deve obedecer um tempo mínimo para ser executada e, embora sua promoção deva ser realizada por profissionais da saúde e sua execução através dos pais, “o sucesso final de ação depende principalmente de políticas governamentais que sejam adequadas e da participação de toda a sociedade civil.” (BRASIL, 2001).

Do ponto de vista nutricional, uma alimentação complementar adequada engloba alimentos que sejam ricos em energia e micronutrientes (como o ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C, entre outros), que sejam limpos e livres de contaminação (isentos de germes e bactérias, toxinas ou produtos químicos prejudiciais), sem muito sal ou condimentos, de fácil aceitação pela criança e que sejam preparados em quantidades apropriadas.¹

Desvantagens Da Alimentação Complementar Precoce Ou Tardia

Foto: Respeite Cada Fase Da Alimentação Dos Bebês

No ano de 2001, durante a 54ª Assembléia Mundial da Saúde, a OMS recomendou a substituição à recomendação anterior que determinava o período de 4 a 6 meses para a introdução da alimentação complementar na rotina alimentar das crianças, para apenas depois dos primeiros 180 dias de vida (6 meses). Isso foi determinado pois após a realização de diversos estudos, tanto em países em desenvolvimento, quanto em países industrializados, ficou demonstrado que introduzir estes alimentos precocemente pode acarretar diversos problemas de saúde às crianças, bem como sua administração tardia pode trazer problemas no desenvolvimento cognitivo e físico.

Foi descrito que a exposição precoce ao leite de vaca (antes dos 4 meses) pode ser um importante determinante dessa doença e pode aumentar seu risco de aparecimento em 50%. Estima-se que 30% dos casos de diabetes melito tipo I poderiam ser evitados se 90% das crianças até 3 meses não recebessem leite de vaca.²

Em muitos países é recomendado que o leite de vaca (considerado um alimento extremamente alérgeno) seja introduzido na alimentação da criança apenas passados os seus dois primeiros anos de vida, pois o mesmo é responsável por no mínimo 20% das alergias alimentares. Na presença de histórico familiar, também é recomendado evitar alimentos como ovos, amendoim, nozes e peixe. (MONTE, GIUGLIANI, 2004)

A introdução precoce desses alimentos aumenta as chances de morbimortalidade infantil como consequência de uma menor ingestão dos fatores de proteção que existem no leite materno, além destes alimentos serem uma fonte de contaminação na maioria das crianças.

Quando a criança não cresce satisfatoriamente com a amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses, antes de se recomendar a introdução de alimentos complementares é necessário realizar uma avaliação criteriosa para ver se a criança não está ingerindo pouco leite materno por má técnica de amamentação, levando a um esvaziamento inadequado das mamas e à consequente diminuição da produção do leite. Nesses casos, a conduta de escolha é orientar e apoiar a mãe para que o bebê aumente a ingestão do leite materno e não introduzir a alimentação complementar desnecessariamente.

(MONTE, GIUGLIANI, 2004 apud WHO/UNICEF, 1995)

Alimentação Complementar Industrializada: Um Perigo Para o Desenvolvimento Das Crianças

Foto: Opte Por Alimentos Orgânicos

Sabemos que introduzir alimentos precocemente na alimentação infantil pode acarretar diversos problemas de saúde, uma vez que, substituindo o leite materno, a criança deixa de receber diversos nutrientes que futuramente poderão ajudá-la em seu desenvolvimento.

Preocupações, dúvidas e os erros surgem quando se começa a oferecer outros alimentos à criança. Devido à praticidade, muitos pais optam por oferecer algum produto industrializado, cujo preparo consiste em apenas adicionar um pouco de água a ele ou cozinhá-lo rapidamente para que seja consumido. Os alimentos industrializados contêm, na sua formulação, aditivos que poderão desencadear, mais tarde, uma série de problemas à criança. São conservantes, acidulantes, espessantes, estabilizadores, aromatizantes, corantes, entre tantas outras substâncias.

(COSTA, 2014)

A Resolução nº. 31/92 do Conselho Nacional de Saúde, dispõe sobre a regulamentação da produção de alimentos direcionados especificamente aos bebês, como leites modificados e as famosas “papinhas” prontas. Acontece que nem todos os alimentos que são oferecidos aos bebês são específicos ou a melhor escolha para eles, por isso é importante estar sempre atento à composição de cada alimento, para não prejudicar a saúde do bebê.

Hoje, após anos de discussão sobre o impacto destes tipos de alimentos na saúde infantil, recomendações da OMS alertam para o cuidado dobrado que os pais devem tomar ao introduzir a alimentação complementar, principalmente no que diz respeito às papinhas. Estudos realizados no Brasil e também no exterior, mostram que grande parte das papinhas comercializadas apresentam grandes quantidades de açúcares (que além de prejudicial à saúde, também aumenta o risco de obesidade infantil), e metais pesados.

Alguns destes metais, como o chumbo, cádmio, arsênico e mercúrio, podem prejudicar o cérebro e também o sistema nervoso de uma criança, e inclusive causar perda permanente da capacidade intelectual. Além disso, consumir esses metais tóxicos também pode causar problemas comportamentais, como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

Alternativas Para Uma Alimentação Complementar Infantil Saudável

Foto: Papinhas Orgânicas e Super Nutritivas

A procura por alimentos mais nutritivos, provenientes de um sistema de produção mais saudável, é uma tendência que vem ganhando cada vez mais espaço dentro do mercado.  A variedade e quantidade de alimentos complementares infantis são enormes, porém, com a falta de tempo, muitos pais se utilizam de alimentos prontos e industrializados que podem acarretar diversos problemas de saúde às crianças. Por este motivo é de suma importância que toda a alimentação de um bebê seja a mais natural possível em cada fase da vida.

Recomenda-se introduzir os novos alimentos gradualmente, um de cada vez, a cada 3 a 7 dias. É muito comum a criança rejeitar novos alimentos, não devendo este fato ser interpretado como uma aversão permanente da criança ao alimento. Em média, a criança precisa ser exposta a um novo alimento de oito a 10 vezes para que o aceite bem.

(MONTE, GIUGLIANI, 2004)

Sendo assim, é importante para a criança que os alimentos sejam oferecidos separadamente, para que ela possa perceber os vários sabores e também para observar se o bebê tem alguma reação ou mudança no intestino. Se dá preferência por alimentos íntegros, em sua maioria, se possível, orgânicos e extremamente limpos. Pode-se começar introduzindo algum tubérculo ou raiz, como batata, inhame ou cará. Depois está na hora de acrescentar algum legume, que pode ser o chuchu, abóbora, cenoura, vagem ou até o jiló. Por último, as verduras e as carnes (estas últimas podem ser processadas no liquidificador). No início, os alimentos devem ser mais “amassadinhos” (em forma de papinha), com o tempo, é indicado deixar uns pedacinhos maiores. Desta forma, o bebê exercita a musculatura tanto para mastigação quanto para a fala.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (2006), o planejamento da papinha salgada deve conter nutrientes favoráveis ao crescimento saudável do bebê. Para isso deve conter os seguintes grupos alimentares: cereal ou tubérculo, alimento protéico de origem animal, leguminosas e hortaliças. […]

(SBP, 2006)

É aconselhável oferecer frutas e legumes e evitar papinhas com farinhas, cereais e mingaus a base de açúcar. A digestão do amido se inicia entre seis e nove meses e seu o consumo elevado pode causar uma gastroenterite. (TIRAPEGUI, 2002)

A pequena quantidade de alimentos complementares inicialmente oferecida deve ser gradativamente aumentada com a idade da criança. A quantidade e a freqüência dos alimentos oferecidos devem basear-se na aceitação da criança, que varia segundo a necessidade individual, a quantidade de leite materno ingerido e a densidade dos alimentos complementares. Deve-se encorajar a criança a comer até ela ficar saciada.

(MONTE, GIUGLIANI, 2004)

Alimentação Complementar Infantil: Realidade Brasileira 

Foto: Conheça Alimentos Complementares Saudáveis Para os Bebês

No Brasil, a procura por alimentos íntegros e mais saudáveis cada vez mais se torna rotina entre as famílias. A preocupação com a saúde, principalmente das crianças, são os principais motivos para esta revolução alimentícia, seguida da inserção da mulher no mercado de trabalho, fazendo com que os alimentos prontos, se tornem uma opção prática e fácil. Podemos usar de exemplo as papinhas prontas para bebês, que nos últimos anos sofreram diversas modificações, no que diz respeito ao seu aspecto nutricional.   

Empresas voltadas à alimentação infantil, têm apostado forte em produtos livres de agrotóxicos, orgânicos, sem conservantes ou alérgenos. As papinhas se mostram uma alternativa fantástica para complementar a alimentação, uma vez sendo possível levá-las de forma segura e discreta para qualquer lugar. Sua forma de preparo também é atrativa, bastando aquecer no microondas ou em banho-maria, em alguns casos.

A forma correta de se assegurar que o produto consumido é orgânico, é através da certificação. Assim, é possível saber que o produto foi produzido livre de químicos, em respeito ao ambiente e ao homem. 

No Brasil a Instrução Normativa nº 0017/14 apresenta normas disciplinadoras para a produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e certificação da qualidade de produtos orgânicos, sejam de origem animal ou vegetal. O processo de certificação pode variar de 1 a 4 anos, dependendo do sistema de produção e do mercado consumidor.

(BRASIL, 2014).

A alimentação complementar adequada é componente determinante para o ótimo crescimento e desenvolvimento da criança. A segurança alimentar e nutricional implica garantia do direito à práticas alimentares saudáveis. Como se trata de um direito das crianças pequenas e suas mães, cabe ao Estado garanti-lo, em articulação com a sociedade civil. Aos profissionais de saúde cabe repassar os conhecimentos atuais sobre alimentação infantil, visando promover o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança.

Referências Bibliográficas

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